A Mãe à Luz da Pedagogia Montessori

Em Montessori, o papel básico do adulto é estar presente na vida da Criança, sendo esta presença física, mental e emocional, de modo a ajudar a Criança no seu desenvolvimento. O adulto, seja ele pai, membro da família, professor ou outro, deve estar totalmente preparado e educado das necessidades da Criança e do seu desenvolvimento.

Na vida de uma Criança a importância do adulto na sua generalidade é indiscutível. Este artigo é dedicado ao papel da Mãe não menosprezando, de todo, a importância de todos os outros adultos que rodeiam a Criança.

"As espécies devem a sua sobrevivência ao amor materno"

(Maria Montessori, a Mente Absorvente)

Maria Montessori caracterizou-se por ser uma mulher de uma enorme inteligência. Uma vida dedicada aos estudos e à descoberta da Criança, através de uma visão profundamente transdisciplinar do desenvolvimento infantil.

A Criança é, à partida, fruto do amor, sendo esta a sua origem natural, biológica. Quando nasce, desperta nos pais um amor que os impele à sua protecção e cuidado, sendo um amor que não parte da razão, uma biologia que inspira ao sacrifício, à dedicação de um ego a outro ego e ao serviço do outro.

Um amor que desperta o melhor de cada um numa atitude de altruísmo e de renúncia à qual todos idealizamos em tantos aspectos e áreas das nossas vidas, e que deveria servir de exemplo para toda a vivência em sociedade.

Visão Científica e Biológica

No reino animal é visível que mesmo os animais mais ferozes transformam-se perante a presença das suas crias, numa atitude de amor, delicadeza, cuidado, é como se a parentalidade lhes atribuísse especiais instintos.

Para além do instinto de sobrevivência, há o instinto da protecção dos mais novos, e é a isto que se deve a sobrevivência.

Esta visão científica e biológica da maternidade ilustra bem o que está na base deste profundo amor que une as Mães aos seus filhos e a capacidade de trazer o melhor de si, representando esta dádiva da vida uma oportunidade para cada uma se tornar uma melhor versão de si mesma.

A Natureza proveu as Mães e Crianças com esse poder e Maria Montessori desde sempre o reconheceu.

Maria Montessori descobriu a Criança, observando-a atentamente.

É encantadora a forma como conseguiu demonstrar cientificamente, no seu papel de médica e cientista, a forma incrível e fascinante como a Natureza proveu as Mães de instintos e poderes para se certificarem que os filhos crescem e se tornam adultos capazes de prover pelas suas vidas, de forma independente.

O amor de uma Mãe é das forças mais poderosas da Natureza.

As Mães desempenham um papel de máxima importância nas nossas vidas. Elas amam-nos, e por norma os nossos pais são os nossos primeiros amores.

O que uma Criança sente quando vê a sua Mãe é algo indescritível, é um amor que se torna difícil de explicar e por isso ouvimos tantas vezes dizer “Quando fores Mãe irás perceber”.

Um exemplo muito bonito desta situação que estamos a descrever é o caso real de um bebé que nasceu cego e devido à sua condição nunca viu a sua Mãe. Os médicos conseguiram manipular uns óculos que permitiu a esta Criança ver a Mãe pela primeira vez, e a sua reacção de amor e ternura é indescritível. Convidamos-te a ver o vídeo clicando aqui.

Quem já leu um pouco sobre a Pedagogia Montessori certamente já se deparou com a liberdade oferecida às Crianças para o seu desenvolvimento.

Uma das tarefas base e talvez das mais árduas dos pais em Montessori consiste em praticar a capacidade de serem passivos quando a Criança está num momento de descoberta e ativos num momento de verdadeira necessidade

O adulto deve ser um modelo que a Criança possa imitar positivamente. Deve ajudar a guiar a Criança através da sua vida, mas deixar a Criança livre para desenvolver a sua própria vontade, independência e capacidade de fazer as suas próprias escolhas e decisões.

Precisa ser uma entidade estável e consistente na vida da Criança; isso proporcionar-lhe-á uma sensação de segurança, rotina e amor. Aqui o papel da Mãe torna-se essencial para impor aos demais esta sua vontade de respeito pela liberdade da Criança, assim como explicar-lhes como o fazer.

A Criança encontra-se absolutamente atraída pelo ambiente que a circunda e pelas pessoas que nele têm presença. Esta atracção natural foi definida por Maria Montessori como de “Amor”, à qual acresce uma tendência para quererem pertencer a um grupo.

O desenvolvimento da Criança depende e acontece no seio da segurança e da proteção da sua família, da qual irá absorver a sua cultura: costumes, comportamentos, moralidade, religião.

Não é fácil para as Mães, no meio de tantas pressões materialistas e competitivas a que são sujeitas diariamente, de conseguirem manter segurança e firmeza naquelas que são as suas crenças e que serão, enfim, absorvidas pelos seus filhos.

O equilíbrio psicológico e social dependem da satisfação de algumas necessidades básicas comuns, e que são melhor atendidas num ambiente seguro, com relações harmoniosas, de amor e respeito que suportam um sentimento de auto-estima e o seu desenvolvimento psicológico.

Tudo características que não se adquirem automaticamente, mas que dependem das fundações que são estabelecidas na infância.

E por este motivo Maria Montessori desenvolveu o conceito de “Embrião Espiritual”, que decorre do nascimento até aos três anos de idade e que coincide com a Mente Absorvente Inconsciente.

Um período durante o qual, à semelhança do embrião físico que se desenvolveu dentro do útero nos primeiros nove meses, estamos na presença de um segundo desenvolvimento embrionário, desta vez espiritual, e que se relaciona com a formação das bases da personalidade, e na qual as Mães desempenham uma influência decisiva, através de todos os seus gestos, comportamentos, acções e reacções.

Estas serão apreendidas pelos filhos pelo simples facto de emanarem desse centro, independente da sua valoração.

Não se quer, com isto, exercer algum tipo de pressão nas Mães, cujo papel já é, por si só, de uma grande exigência pois implica uma mudança radical de vida e uma dedicação cujas implicações são por elas conhecidas.

O que importa reter é que não obstante as marcas que se vão certamente deixar nas Crianças, o importante é muni-las das ferramentas para saberem superar e compreender conflitos e emoções, mas sobretudo que o seu amor, a sua atenção e a sua disponibilidade são por si só mais do que suficientes para garantir que esta marca seja positiva para o resto das suas vidas.

É neste período que a Criança vai ganhar confiança em si mesma e no mundo, e para isso esse amor é crucial.

Escrito por

Jardim da Descoberta, espaço de desenvolvimento pessoal para pais e filhos tendo por base uma educação para a paz.

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